Resumos das oficinas
OFICINA 1 - Ensaiar, ensinar, encenar: teatralidade e jogos cênicos na sala de aula
Coordenador:
Prof. Dr. Jesiel Soares Silva (DELET/UFOP)
Resumo:
Esta oficina propõe às pessoas participantes uma vivência prática orientada por atividades dinâmicas, com foco na interação em grupo e na criação coletiva. A proposta parte da ideia de que o aprendizado envolve presença corporal em relação com outras pessoas em situações de troca e ação. Nesse contexto, o jogo assume papel central como forma de engajamento e produção de sentido no ensino (HUIZINGA, 2000; SPOLIN, 2010). A teatralidade é abordada como linguagem que amplia modos de expressão e favorece a participação ativa em práticas educativas (DESGRANGES, 2006). Ao longo da oficina, as pesoas se envolverão em jogos cênicos e exercícios de improvisação que estimulam atenção em grupo e resposta criativa. As atividades mobilizam corpo e voz em propostas que incentivam o envolvimento direto e a construção conjunta. A condução privilegia ritmo dinâmico e alternância de propostas práticas, com foco na experiência compartilhada. Essa abordagem dialoga com estudos sobre drama na educação e aprendizagem por meio da ação (O’NEILL, 1995; NICHOLSON, 2011). No campo do ensino de línguas, a oficina se aproxima de perspectivas que valorizam o uso da performance e da dramatização como formas de ampliar a competência comunicativa e a participação em contextos de aprendizagem (Kao; O’Neill, 1998; Even, 2008). Pesquisas recentes apontam que práticas com base em teatralidade contribuem para o desenvolvimento da expressão oral, da escuta e da interação em sala de aula (Galante; Thomson; Bateman, 2020). Nesse sentido, os jogos cênicos operam como estratégia que integra linguagem, ação e interação em processos de ensino. Destinada a discentes e docentes que tenham interesse nas relações entre arte e educação, a oficina apresenta possibilidades de uso da teatralidade em práticas pedagógicas, com ênfase em propostas coletivas e voltadas à experiência. Como resultado desta oficina, esperamos ampliar repertórios expressivos e pedagógicos por meio da prática cênica.
Palavras-chave: teatralidade, ensino, jogos cênicos, presença.
OFICINA 2 - Estratégias lúdicas e dinâmicas no ensino de Libras: linguagem, corpo e subjetividade em movimento
Coordenadora/es:
Profa. Dra. Andreia Chagas Rocha Toffolo (DELET/UFOP)
Prof. Me. Gabriel Franca do Couto (DELET/UFOP)
Josué Araújo Aniceto (POSLETRAS/UFOP)
Resumo:
A presente oficina propõe uma reflexão teórico-prática sobre o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras), a partir de estratégias lúdicas e dinâmicas que valorizam a linguagem em sua dimensão viva, corporal e social. Em consonância com a temática do simpósio: “A linguagem e a vida em movimento: políticas, corpos e subjetividades”, parte-se da compreensão de que a Libras, enquanto língua visuoespacial, mobiliza o corpo como elemento central na construção de sentidos, evidenciando a indissociabilidade entre linguagem, corporeidade e experiência subjetiva. A proposta fundamenta-se na perspectiva sociocultural de Lev Vygotsky, que compreende o jogo e a interação como mediadores essenciais no processo de aprendizagem, articulando-se às contribuições de pesquisadoras da área da educação de surdos, como Ronice Müller de Quadros, Lodenir Becker Karnopp e Karin Lilian Strobel, que destacam a centralidade da visualidade, da cultura surda e das práticas interativas no ensino de Libras. Nesse sentido, compreende-se o lúdico não como recurso acessório, mas como estratégia pedagógica potente para a construção de significados e para o engajamento dos sujeitos no processo educativo. Busca-se, tensionar práticas tradicionais de ensino de línguas, propondo abordagens que considerem o sujeito surdo em sua singularidade, bem como a diversidade de experiências linguísticas e culturais. Serão apresentadas e vivenciadas atividades que envolvem jogos, práticas interativas e recursos visuais, com foco no engajamento dos participantes e na construção colaborativa do conhecimento. Tais estratégias visam não apenas o desenvolvimento de competências linguísticas em Libras, mas também a sensibilização para aspectos culturais, identitários e políticos que atravessam a comunidade surda. Espera-se, com esta oficina, contribuir para a formação de professores e demais interessados na área, ampliando repertórios metodológicos e promovendo práticas pedagógicas mais críticas e alinhadas às demandas contemporâneas da educação linguística.
Palavras-chave: Libras; ensino de línguas; práticas lúdicas; educação de surdos; políticas linguísticas.
OFICINA 3 - Oficina de audiodescrição
Coordenador:
Prof. Dr. José Luiz Vila Real (DELET/UFOP)
Temática central: Tradução audiovisual e acessibilidade
Resumo:
A legislação brasileira, bastante tardiamente, começou a determinar a implantação e expansão de políticas de inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiências e necessidades especiais a partir dos anos 2000, especialmente com a Lei 10.098, e, posteriormente com a Portaria nº 188, de 24 de março de 2010. Nos anos recentes, observamos o desenvolvimento tanto de trabalhos de pesquisa quanto de aplicações dos conhecimentos e técnicas para o público alvo no contexto brasileiro. Entre os recursos e iniciativas que competem à área de atuação dos profissionais da tradução, temos o ramo da tradução audiovisual acessível, com importantes contribuições como a legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE), a tradução e interpretação para línguas de sinais (janela de LIBRAS, por exemplo) e a audiodescrição para pessoas cegas ou com baixa visão. Nesta oficina, apresentaremos especificamente os fundamentos legais e teóricos da audiodescrição e exploraremos atividades práticas, utilizando aplicativos e recursos computacionais gratuitos disponíveis online. O objetivo principal é oferecer noções introdutórias sobre a audiodescrição para participantes sem experiência prévia na área, além de divulgar as respectivas iniciativas desenvolvidas no âmbito da UFOP.
Palavras-chave: Tradução audiovisual acessível, acessibilidade, audiodescrição
OFICINA 4 - Entre Prompts e Normas: uso de Inteligência Artificial na universidade e integridade científica
Coordenadora:
Profa. Dra. Leandra Batista Antunes (DELET/POSLETRAS/UFOP)
Apenas 20 vagas
Resumo:
O uso de Inteligência Artificial (IA) é uma realidade atualmente, seja na vida, seja na universidade. Esse uso tem modificado práticas de pesquisa, análise, organização e produção do conhecimento, mas precisa ser debatido e usado de acordo com a regulamentação vigente. Essa oficina tem por objetivo discutir aplicações contemporâneas da IA na vida acadêmica, com foco em seus usos críticos, éticos e metodologicamente responsáveis. Serão apresentadas e testadas na prática, nessa oficina, algumas potencialidades no uso de IA em diferentes etapas do trabalho acadêmico, incluindo escolha de fontes, mapeamento e síntese da literatura, apoio à escrita científica, preparação de material pedagógico (apresentações de slides). A oficina também abordará a recente regulamentação brasileira sobre o tema, discutindo a Portaria nº 2.664/2026 do CNPq, que institui diretrizes para o uso da Inteligência Artificial na atividade científica e estabelece princípios relacionados à declaração do uso dessas ferramentas, responsabilidade autoral e boas práticas desse uso na pesquisa. A atividade pretende contribuir para a formação de pesquisadores e professores (em formação e exercício), a fim de se capacitarem para utilizar recursos de IA de forma ética, reflexiva e alinhada aos princípios da produção científica contemporânea.
Palavras-chave: IA na pesquisa científica; IA e material pedagógico; Portaria 2664/2026 do CNPq.
OFICINA 5 - Como nasce um roteiro?
Coordenadoras:
Daniela Vieira Amorim (UFOP)
Pra. Dra. Mônica Fernanda Rodrigues Gama (DELET/POSLETRAS/UFOP)
Resumo:
Da primeira ideia ao lançamento de um filme ou série, há múltiplas fases de realização em uma produção audiovisual. A escrita do roteiro é uma das etapas iniciais e mais importantes deste longo processo. Tipo específico de texto, o roteiro se materializa entre a potência da livre criação artística e importantes parâmetros técnicos: ele precisa narrar uma boa história ao mesmo tempo em que guia as equipes de profissionais envolvidos em uma produção.
A oficina “COMO NASCE UM ROTEIRO?” é uma breve introdução às estruturas dramatúrgicas de um roteiro audiovisual que parte de alguns autores paradigmáticos como Syd Field, Robert Mckee e Blake Snyder, e tem como objetivos apresentar os elementos constitutivos e as ferramentas básicas da escrita do roteiro; introduzir as etapas práticas de um processo criativo para o roteiro profissional em cinema e televisão; e instrumentalizar os participantes a investigar ideias originais e adaptações literárias em suas possíveis potências de escrita para o audiovisual.
Palavras-chave: roteiro; dramaturgia; escrita criativa; cinema; televisão; literatura.
